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Prof. Dr. Claugildo de Sá lança segunda edição de obra que revisita duas décadas de políticas educacionais brasileiras

A editora Dialética lançou oficialmente a segunda edição do livro “Meu Pé de Meia. Depoimentos: As décadas perdidas na educação do Brasil. Uma retrospectiva histórica desde o Bolsa Escola”, de autoria do Prof. Dr. Claugildo de Sá. A obra, que já despertou debates na primeira edição, retorna ao público com novas análises, depoimentos inéditos e uma atualização minuciosa sobre o cenário da educação brasileira e suas transformações – ou estagnações – ao longo dos últimos vinte anos.

Com sólida trajetória acadêmica e experiência direta no acompanhamento de políticas públicas, o Prof. Dr. Claugildo de Sá reconstrói, capítulo a capítulo, a gênese de programas governamentais criados para combater a evasão escolar e incentivar a permanência dos estudantes na rede pública. O ponto de partida é o Programa Bolsa Escola, considerado um marco nas iniciativas de transferência de renda condicionada, que buscou atrelar subsídios financeiros ao compromisso de manter crianças e adolescentes frequentando a sala de aula.

Ao revisitar documentos, estudos, experiências práticas e narrativas populares, o autor demonstra como essas políticas, ao chegarem às comunidades mais vulneráveis, ganharam novas camadas de significados. Um desses desdobramentos é a expressão “Meu Pé de Meia”, utilizada de forma espontânea por famílias que viram nos incentivos uma rara oportunidade de planejamento e estabilidade. Esse olhar, segundo ele, revela muito mais que um apelido: mostra a profunda relação entre pobreza, educação e expectativas de futuro.

“Eu sempre digo que nenhum programa público existe apenas nos gabinetes onde é criado. Ele ganha vida de verdade na ponta, no diálogo com as famílias, com os professores, com os jovens que precisam decidir entre estudar ou trabalhar. O ‘Meu Pé de Meia’ popularizado nas comunidades traduz essa vivência. Por isso, senti a necessidade de revisitar e ampliar esta obra”, afirma o autor.

Ao longo das cerca de 100 páginas desta nova edição, o professor analisa um conjunto de fatores que, apesar dos avanços institucionais, ainda impedem a superação de desafios históricos. Ele destaca, por exemplo, que muitas regiões continuam enfrentando altos índices de analfabetismo funcional, distorção idade-série e abandono escolar motivado pela necessidade de complemento de renda familiar. “Nós repetimos diagnósticos há anos. Quem convive com a rede pública sabe que, sem garantir condições dignas de permanência, nenhum programa isolado será capaz de transformar realidades tão complexas”, observa.

Outro destaque é a inclusão de depoimentos inéditos de educadores, gestores escolares, lideranças comunitárias e ex-beneficiários, que ajudam a compor um mosaico de perspectivas sobre o impacto e os limites dessas políticas. Os relatos revelam, de um lado, o papel crucial que os incentivos exerceram para milhares de famílias; de outro, evidenciam problemas estruturais que seguem intocados. O autor analisa ainda como diferentes governos, apesar das mudanças de discurso, mantiveram práticas semelhantes que nem sempre enfrentaram as raízes das desigualdades educacionais.

Para Claugildo, o Brasil viveu, nas últimas décadas, uma sucessão de tentativas de inovação que não conseguiram se traduzir em mudanças concretas e duradouras. “Insistimos em soluções paliativas. Falta articulação entre políticas, acompanhamento contínuo e, principalmente, a compreensão de que a escola sozinha não dá conta dos desafios sociais que chegam à sala de aula. Ainda estamos lidando com problemas que já deveriam ter sido superados na virada do século”, afirma.

A segunda edição também reforça a importância da análise histórica para compreender o presente. O professor destaca que muitos debates atuais sobre programas de permanência escolar seguem desconsiderando experiências anteriores e repetindo erros já identificados. Para ele, revisitar esse passado é uma obrigação intelectual e política. “Escrever esta obra é, de certa forma, tentar impedir que a história se repita. Se queremos pensar novas políticas, precisamos saber o que funcionou, o que fracassou e, principalmente, por quê.”

O autor acredita que a publicação poderá contribuir para ampliar o debate não apenas entre especialistas, mas entre gestores públicos, jornalistas, estudantes e cidadãos que desejam compreender melhor as raízes das desigualdades educacionais no país. “Meu desejo é que este livro seja lido com incômodo e curiosidade. A educação brasileira carece de análises honestas e corajosas. Se não enfrentarmos os erros acumulados, continuaremos multiplicando as chamadas ‘décadas perdidas’”, avalia o Prof. Dr. Claugildo de Sá.

A obra já está disponível para compra no site da Editora Dialética, no link oficial:

https://loja.editoradialetica.com/loja/produto.php?loja=791959&IdProd=1244260015&iniSession=1&hash=408536385

Prof. Dr. Claugildo de Sá

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